terça-feira, 7 de agosto de 2012

ORGANIZAÇÃO DE UM TERREIRO DE NAÇÃO OMOLOKÔ


Este Post trata da Organização Física e Hieráquica de um Terreiro de Omolokô. O que escrevo aqui é o usual, e longe de querer ser o dono da verdade lembro que existem variações de Casa para Casa. No entanto em se tratando de fundamentos nunca devem haver grandes discrepâncias.
Assim sendo um Terreiro de Doutrina de Nação Omolokô se organiza em seu espaço físico de seguinte forma:
- Canjira: Situada no portão de entrada de um Terreiro. É onde encontram-se assentadas firmezas do Exu da Casa. Trata-se da segurança de entrada de um Terreiro e deve ser saudada ao chegar.
- Tronqueira ou Casa dos Exus: É onde encontram-se os assentamentos de Exu do Terreiro. Inclusive de Legbara. Fica, normalmente na frente e à esquerda do Terreiro com sua porta de entrada voltada para a Rua. Deve ser saudada logo após a Canjira.
- Casa das Almas: É onde se encontram os as firmezas dos Pretos-Velhos. Normalmente localizada na frente e à direita de um Terreiro. Dentro dela normalmente encontramos imagens de Preto-Velho e outros materiais que tenham ligação com a Linha.
- O Salão: É onde acontecem às curimbas. Se divide em dois espaços, um para os trabalhos propriamente dito e outro para a assistência. É comum haver uma divisão física (mureta, correntes, cerca, etc) entre os dois locais.
- O Axé: Fica no centro do Salão. Onde são “plantados” ferramentas e fundamentos do Orixá da Casa. É um ponto de descarga e segurança da Casa. É consagrado na inauguração de um Terreiro.
- O Couro: É constituído basicamente pelos três Atabaques, Rum (maior), Rumpi (médio) e Lê (Menor). É de responsabilidade do Ogã Nilú, e executa os toques rituais. Alguns outros instrumentos podem fazer parte do Couro como o Agogô e Caxixi. Algumas Casas também usam o Xequerê, que é uma cabaça revestida por uma rede de  miçangas ou sementes para produzir um chocalho que sustenta os intervalos rítmicos, é também chamado de Agbê, e em algumas raras Casas mais ligadas à Angola também podemos encontrar o balafon e o quissangê.
- Peji ou Congá: Onde se localizam Imagens de Santo católicos (Sincretismo), Imagens Africanas de Orixás, Caboclos, Pretos-Velhos, Erês, e demais Linhas e Povos. Obedece um sistema de organização que trataremos em outra oportunidade.
- Quarto de Santo: Onde se localizam os Assentamento de Orixás e os Igbás Bori dos filhos da Casa. Em algumas Casas, quando há disponibilidade, o assentamento dos Orixá da Casa fica em um quarto separado.
- Camarinha: Onde fica os filhos de santo recolhidos para preceitos.
- Cozinha: É onde são preparadas as comidas de Santo, bem como a comida a ser servida durante os dias de Festa.
Em alguns Terreiros encontramos, na sua entrada, um mastro com uma bandeira branca, onde é realizado na sua base um assentamento para  Kitembo.
A Organização Hierárquica é basicamente a seguinte para a vertente que cultua Orixá (em parênteses os cargos da vertente que cultua Nkises e Bacuros):
- Babalorixá ou Yalorixá (Tatetu ou Mametu): Sacerdote. Autoridade máxima dentro de uma Casa.
- Babakekerê ou Yakekerê (Tatetu ou Mametu Ndenge): Filho de santo com Obrigação de Sete Anos (Egbomi) mas que ainda não recebeu seu Decá.
-Pejigan (Tatá Utala ou Tatá Gongá): Responsável em cuidar do Peji e assentamentos. Normalmente é o Ogã mais velho da Casa.
- Ogã Nilú ou Alagbê (Tatá Muxiki): Responsável pelo Couro
-Axogã (Tata Poko ou Kivonda): Responsável pelos sacrifícios rituais.
- Dagã : Filha de Santo mais velha responsável por despachar às Oferendas de Exu.
- Babalossayn (Tata Kinsaba): Responsável pela colheita das folhas. Cargo de extrema importância.
- Yabassê (Mametu Mukamba): Responsável em confeccionar a comida de Santo.
-Yaefun ou Babaefun (Hongolo Matona): Responsável pelas pinturas corporais.
- Ekedis ou Cambonos (Makota): Tem a imcumbência de atender os Orixás ou entidades durante os trabalhos.
- Yawô (Muzenza): Filho de Santo “raspado”.
- Exi de Orixá ou Abiã (Abaô): São os iniciantes que ainda não realizaram seus preceitos.
Alguns Terreiros ainda podem utilizar outras funções específicas como Ayabá Ewe, Ayabá, Yarubá e etc. No entanto o costumeiro são as que mencionei.
Os Trabalhos de um Terreiro de Omolokô se dividem em giras com os “catiços” (termo que eu não gosto, prefiro Guias Espirituais), ou seja espíritos desencarnados que vem trabalhar em auxílio aos encarnados, como os Pretos-Velhos e os Caboclos, por exemplo, e os Xirês, onde são cultuados os Orixás. Ressaltando que as duas coisas acontecem em situações separadas, e não ao mesmo tempo, como pensam algumas pessoas.

OLUBAJÉ


O Olubajé é uma cerimônia anual feita, em homenagem ao Orixá Xapanã, sendo obrigatória em todas as Casas que o tenham seu Axé, ou que tenham Yawos ou Egbomis deste Orixá.
Olubajé Significa Olú : Aquele Que ; Ba : Aceita ; Je : Comer, é o banquete do Rei da Terra.
A Casa é toda decorada com as cores do Orixá Xapanã, e é a única cerimônia que dispensa o Ipadê.
Ao toque de adjá entoado pelo Babalorixá ou a Yalorixá forma-se uma fila indiana onde filhos da Casa entram com panelas de barro ornamentadas com faixas, nas cores dos Orixás, todas contendo suas comidas, com exceção de Xangô.
A frente entra a Yalorixá ou o Babalorixá, seguidos por uma filha de Oyá carregando uma esteira, uma outra com um pote na cabeça contendo a bebida sagrada das cerimônia chamada de Aluá, outra com um vasilhame de barro cheia de Ewe Lara (folha de mamona), as quais servem de prato.
Segue-se 07 (mínimo) ou 21 pessoas, esses são os números das comidas oferecidas, que trazem vasilhames de barro sobre suas cabeças com as comidas dos Orixás. Todos inclusive a assistência tem que estar descalços durante a cerimônia. Começa então as cantigas do Olubajé que se divide como se segue.
Ao ritmo da Avamunha o cortejo entra com a as comidas com na sequência antes descrita.
Após começa um cântico de ritmo lento começa, marcando o início do banquete, sendo cantado até o final do mesmo.
As esteiras são desenroladas no centro do salão, sobre elas é colocado um tecido branco e imaculado e em seguida pratos a serem servidos. Feito isto a comida começa a ser servida pelos filhos mais velhos, usando as folhas de mamonas como prato.
Todo o resto que sobrar vai para uma bacia, porém antes as folhas que servem de prato devem ser fechadas com os restos de comida não consumidos. São passadas ao longo do corpo e as mãos não devem ser lavadas, elas serão limpas ao serem esfregadas nos braços, pernas ou cabeça para que o Axé se impregne na pele. Lembrar que no Olubajé usa-se as mãos para comer, nunca talheres.
Após todos terem se alimentado começa a retirada do banquete. Todos se ajoelham e um cântico em solo, ouvido de forma melodiosa é respondido pela audiência três vezes. Fora a voz humana, somente o Agogô, marca os intervalos entre cada estrofe, ao final todos batem palmas pausadamente (paó) saudando Xapanã.
A Origem do Olubajé vem de um Itan que conta que Xangô, deu uma grande festa em seu palácio convidando todos os Orixás, menos Xapanã, pois suas características de pobre, doente e com uma estreita ligação com a morte (quizila de Xangô) lhe assustavam.
Durante a cerimônia os outros Orixás perguntaram o motivo da ausência do Rei da Terra, e descobriram que ele não fora convidado. Revoltados deixaram a festa e foram até Xapanã para pedir desculpas.
Xapanã não perdoou aquela ofensa, mas resolveu que daria uma festa em homenagem a todos os Orixás, com exceção de Xangô. Nesta festa não se manifesta Xangô.
Outro Itan conta que o Olubajé surgiu quando os Orixás pediram desculpas por Xapanã de ter sido chacoteado na festividade feita por Xangô, devido a sua maneira de dançar.
Olubajé é ritual específico para Xapanã e tem o sentido de sentido de prolongar a vida e trazer saúde a todos os filhos e participantes. A folha de mamona, que é venenosa simboliza o Orixá Iku, intimamente ligado o Omulu.

A Raiz Africana do Omolokô


A desinformação sobre o Omolokô foi e é provocada pela combinação de vários fatores dentre os quais podemos citar:
1) O povo Bantu em geral, do qual faz parte o povo Lunda Kioko,  ponto de partida do culto Omolokô, era particularmente dado ao isolamento e muito mais reservados que os demais negros que aportaram no Brasil. Eles supunham manter desse modo, os segredos de culto intactos, mas na realidade isso acabou por gerar inúmeras distorções, vividas até os dias de hoje.
2) Antigos Sacerdotes do culto foram morrendo e levando consigo boa parte do conhecimento a respeito do Culto.
3)Por causa dos ensinamentos passados oralmente, já que a oralidade restringia-se apenas à memória dos mais confiáveis e graduados. Memória muitas vezes falha, que acabou no esquecimento de muitos dos conhecimentos originais e dos fundamentos do culto.
4) A dificuldade de se levantar arquivos, registros históricos, matérias, artigos, documentos e demais fontes de consulta, desestimulam ao estudo e a redescoberta do culto.
As barreiras atuais para se desvendar o Omolokô, devem-se a raridade de se encontrar artigos publicados que tratem  do assunto, aliada  a total inexistência de novos lançamentos literários exclusivamente voltados à doutrina do culto, para que se possibilite restaurá-lo e ergue-lo ao topo e ao lado das demais religiões co-irmãs afro brasileiras, destacando-o por sua genuína identidade.
O Omolokô é um culto  que tem a sua identidade reconhecida, calçada em seus próprios fundamentos, a fim de derrubar de uma vez por todas o tom, às vezes pejorativo, de leigos, que rotulam o Omolokô como um “Umbandomblé”, ou um “Candomblé de meia feitura”, o que só demonstra o grau de desinformação.
É preciso que sejam resgatadas suas raízes. Para isso partiremos inicialmente de sua base na  África, mais precisamente, o povo Lunda Kiôco, de cuja organização social, história e cultura, idioma nativo, costumes, crenças e rituais religiosos, lendas e superstições, musicalidade e percussão e dos seus conceitos morais foram erguidos os alicerces da Nação Omolokô praticada hoje em dia.
Na antiguidade o povo Kiôco, conquistador por natureza, espalhou-se por diversos pontos da África Central, povoando uma grande extensão de terras, compreendidas desde a região Sudeste até a Nordeste da República Democrática de Angola, ocupando também parte da República Democrática do Congo e de Zâmbia.
Foi em Lunda, uma província dividida em Lunda do Norte e Lunda dos Sul, situada no nordeste de Angola, onde houve a maior concentração desse povo e de onde surgiu o termo Kiôcos de Lunda.
O idioma predominantemente usado pelos Kiôcos de Lunda é o Kimbundu, que influenciou a língua portuguesa falada no Brasil.
A geografia na área ocupada pelos Kiôcos, tanto dispunha de bosques densos e florestas tropicais às margens dos rios Kasai e Kwilu, quanto de planícies de savana e de imensos planaltos gramados desde a parte central angolana até a margem rio Zambezi na Zâmbia ocidental. Nesse “habitat” fartamente banhado pela natureza, cultuavam e louvavam o sagrado.
Os Kiôcos desenvolveram e mantiveram a sua identidade cultural adaptando-se a influências externas.

Okó


Divindade da agricultura , ligado a colheita dos inhames novos e a fertilidade da terra . Orixá Nagô, pouco conhecido no Brasil. Na época em que os escravos aqui chegaram, não deram muita importância a este Orixá, considerando como Orixá da agricultura, em seu lugar , Ogum , e dos grãos Obaluaê.
Quando manifesta-se leva um cajado de madeira que revela sua relação com as árvores , traz uma flauta de osso que lembra sua relação com a sexualidade e a fertilidade , é confundido com Oxalá, pois veste-se de branco. Seu Opaxorô, no Brasil, é confeccionado em madeira . Sendo um Orixá raro , tem poucas qualidades conhecidas .
Sacrificam angolas macho, tudo com mel, pois não se usa dendê para esse Orixá. Come cabritos brancos, novos de chifres virados, ou galos brancos com esporão grande, além de pombos brancos.
As comidas devem ser brancas como: acaçá de Oxalá, inhame cozido em fatias com mel, canjica branca também com mel.

QUALIDADES
- ETEKÒ
Caminha com Oxaguiã, é inquieto . Vive nas matas e come todo tipo de comida branca.
- LEJUGBÉ
É muito confundido com Oxalá por ser muito vagaroso e indeciso . Muito chegado a Airá . Come com Iemanjá e Oxalufã. Come , também , todo tipo de comidas branca .
Okô era filho de Iemanjá e Obatalá. Quando o mundo foi criado, ainda não existia nada plantado. Aqui morava um homem que nada fazia. Este homem se chamava Okô,  nome que ele tinha recebido do grande criador. Um dia, Olorum chamou este velho e lhe disse:
- Olha, eu criei o mundo, porém, faltam as plantações, e eu não sei com fazê-las, como plantar. Você vai ser incumbido desta tarefa.
Oko ficou sentado no chão, pensando: Que grande incumbência Olorum me deu! O que eu vou fazer? Pensou, pensou, e aí se lembrou de que nas suas andanças pelas estradas tinha encontrado uma palmeira, e que embaixo dessa palmeira  tinha um molequinho. Esse moleque era muito sapeca e muito sagaz, com um corpo bem reluzente. Ele estava sempre com um pedaço de pau mexendo na terra.
Okô se lembrou de que um dia ele perguntou a esse rapazinho: -Que estás a fazer?
E o rapaz lhe respondeu: Você não sabe que a terra mexida e plantada dá frutos?
- Plantada como? – perguntou Okô.
- É… A gente arruma semente, e tudo isso…
- Como arruma semente, se ainda não existe arvore, não existe nada? – interrompeu Okô.
O molequinho lhe disse: – Olhe que prá Olorum nada é difícil! Okô ficou admirado com as palavras daqueles molequinho. Quando Olorum lhe deu essa empreitada, ele logo se lembrou do molequinho. Voltou ao mesmo lugar e encontrou o molequinho sentado embaixo da palmeira, cavando terra. O buraco já estava maior, e daquele buraco já estava saindo uma terra mais avermelhada. Okô perguntou ao menino: – Porque esta terra está saindo mais vermelha?- É sinal de que algo de diferente existe nas profundezas da terra.
- Você vê que eu estou cavando e aqui em cima a terra é mais seca; agora, esta outra parte, é mais molhada, e agora já está saindo uma parte mais densa, mais dura – respondeu o menino, mostrando a terra a Okô.
- Continue a cavar – falou Okô.
Mas enquanto o menino estava cavando, a madeirazinha que ele estava usando quebrou.
Ele aí pelejou, esfregou no chão, e fez uma ponta na madeira. O menino estava descobrindo naquele momento uma ferramenta na hora em que ele raspou a madeira no chão. E com ela ele recomeçou a cavar, juntos e tiraram uma lasca dessa terra, que era a pedra. Okô disse:- Vamos fazer algo para a gente cavar a terra. Vamos ver se conseguimos qualquer coisa com aquela lasca de pedra. O molequinho continuou a trabalhar e Okô lhe disse:
- Eu vou me embora, você veja se sozinho consegue pensar em algo mais útil para nós trabalharmos. Foi andando e pensando pelo caminho. No outro dia quando Okô voltou, o molequinho estava com o fogo aceso e com vários pedaços daquela pedra de fogo.  Quando o moleque fez aquele fogo, ele fez também um canal saindo de dentro do fogo.
As tais pedras iam  derretendo e escorrendo, enquanto o menino ia formando lâminas. Assim foi criado o ferro.  Esse molequinho era Ogum, o criador do ferro. Daí em diante, Orixá Okô o grande  plantador, com suas idéias sobre plantação, colheita e lavoura, e Ogum, com as suas ferramentas para ajudar a cavar a terra, o arado, o machado, a foice e a enxada, continuaram a trabalhar juntos nas plantações que têm grande importância na criação do mundo.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O QUE É E O QUE NÃO É ESPIRITISMO

Existe uma confusão muito grande a respeito do que é ou não é Doutrina Espírita ou Espiritismo. Isto porque há pessoas que não sabem que as palavras “espíritas” e "espiritismo" foram criadas em 1857, na França, pelo codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec. Somente deveriam utilizar-se destes termos os locais religiosos ou pessoas que seguissem os postulados desta doutrina.
Assim, cultos e religiões que de alguma forma têm em suas práticas a comunicação de Espíritos e a crença na reencarnação é confundida erroneamente com o Espiritismo.
Na verdade, embora mereça todo o respeito dos espíritas verdadeiros, estas seitas são adeptas do espiritualismo ou esoterismo, e não do Espiritismo.
Todos aqueles que acreditam na existência do Espírito são espiritualistas. Mas nem todos os espiritualistas são espíritas, praticantes do Espiritismo.
Para que uma casa religiosa seja espírita, ela deve seguir os ensinamentos contidos nas Obras Básicas da Doutrina Espírita e no Evangelho de Jesus. Geralmente, os locais espíritas recebem o nome de: Centro, Grupo, Casa, Sociedade, Instituição ou Núcleo Espírita. Deve ser legalmente constituído, de acordo com as leis vigentes no país em que está instalado. Mesmo ostentando este nome, quem os visita necessita estar atento para quais as atividades e as formas como as mesmas são praticadas por seus dirigentes e auxiliares (veja o que um centro espírita faz).
Visando ajudar àqueles que não conhecem o Espiritismo, mostraremos abaixo o que se encontra e o que não deve ser encontrado em uma casa espírita verdadeira.

Palestras: todo centro espírita tem o seu momento de esclarecimento doutrinário. As exposições geralmente são sobre a Codificação espírita e o Evangelho de Jesus, em uma ligação direta com nosso cotidiano. Não há nenhum ritual antes dos trabalhos, a não ser uma prece evocando a proteção de Jesus e dos bons Espíritos (geralmente, a oração é feita em pensamento). Em algumas oportunidades, antes ou no final das palestras, alguns grupos fazem a apresentação de corais musicais, quase sempre formados por grupos de jovens. Porém, este tipo de procedimento não é aconselhável, sendo indicado que seja praticado em datas e horários diferentes dos trabalhos espirituais e de esclarecimento ao público, exatamente para se evitar confusões e mal-entendidos.

Explanações e orações ao som de músicas, batuques, atabaques: o Espiritismo não utiliza instrumentos musicais para exortar o público ou evocar Espíritos. Não há o uso de qualquer instrumento durante os trabalhos.

Trajes normais: os trabalhadores de uma casa espírita trajam-se normalmente, de forma simples. A discrição deve fazer parte dos que trabalham no local, pois ali estão para auxiliar as pessoas que buscam orientação para seus problemas materiais e espirituais.

Trajes especiais: o Espiritismo não tem roupas especiais para os dias de trabalhos ou mesmo no dia-a-dia das seus adeptos. Enfeites, amuletos, colares, vestimentas com cores que significariam o bem (branca) ou o mal (negra, vermelha) não têm fundamento para o espírita.

Inexistência de rituais, amuletos e imagens: o verdadeiro centro espírita não pratica em suas atividades nenhum tipo de ritual. A Doutrina Espírita segue o que o Mestre Jesus ensinou: que Deus é Espírito, e deve ser adorado em espírito e verdade. Portanto, sem a necessidade de nada material para contatarmos com a espiritualidade.

Presença de rituais como: ajoelhar-se frente a algo ou alguém, beijar a mão ou louvar os responsáveis pela casa, benzer-se, sentar-se no chão ou ficar levantando e sentando durante os trabalhos, proferir determinadas palavras (mantras) para evocar os Espíritos. Nas sedes dos verdadeiros centros espíritas não são encontradas imagens de santos ou personalidades do movimento espírita, amuletos de sorte, figuras que afastam ou atraem maus Espíritos, incensos, velas e tudo o mais que seja material e que teoricamente serviria de ligação com o mundo espiritual. Animais para sacrifício: o local que possui este tipo de prática ou decoração não é espírita. O Espiritismo é contrário a qualquer tipo de sacrifício animal. Espíritos que pedem este tipo de atividade são Espíritos atrasados, ignorantes da Lei de Deus e muitas vezes maléficos, que podem prejudicar a vida de quem dá ouvidos aos seus baixos desejos.

Comunicação particular com os Espíritos: os grupos espíritas têm reuniões específicas e íntimas para que os trabalhadores da casa, aptos e preparados durante longos estudos para tal, possam comunicar-se com os Espíritos. E através deles, obter informações do mundo espiritual, orientações e mesmo ajudar no afastamento de perturbações espirituais que porventura estejam prejudicando alguém. Todo este cuidado baseia-se na orientação dos próprios Espíritos superiores, responsáveis pela elaboração do Espiritismo, como também no alerta de João, o Evangelista, que em sua 1ª Epístola, capítulo IV, versículo 1, diz: "Amados, não creiais em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus". Agindo assim, o centro espírita evita o máximo possível à influência de Espíritos zombeteiros e maldosos, que muitas vezes vêem neste contato com os encarnados a oportunidade de tecer comentários mentirosos e doutrinas esdrúxulas. A seriedade de reuniões fechadas os intimida, favorecendo a presença dos Espíritos esclarecidos.
Há alguns tipos de trabalhos mediúnicos, principalmente de psicografia (escrita dos Espíritos através de médiuns), onde pessoas levam até lá o nome de entes desencarnados para tentarem a comunicação dos mesmos através da mediunidade, e ficam observando a manifestação. O médium Francisco Cândido Xavier, conhecido como Chico Xavier, da cidade mineira de Uberaba, é um destes exemplos. Porém, nestes casos, o Espírito não se comunica diretamente com seu parente. Apenas influencia o médium, que escreverá, de forma discreta e ordenada, a mensagem do além.

Comunicação de Espíritos em público: a Doutrina Espírita é contrária a este tipo de manifestação, cercada geralmente de curiosidades e interesses materiais, ao invés do bom senso que deve permear toda comunicação espiritual. Há locais em que os médiuns recebem seus "guias" ou "Espíritos protetores", teoricamente responsáveis pelo funcionamento da casa, e orientam os consulentes sobre qualquer tipo de dúvida. Muitas vezes, as respostas dadas por este tipo de Espírito não têm base científica ou doutrinária alguma, seguindo apenas seu próprio conhecimento, que pode ser limitado. Em vários destes lugares em que há a manifestação pública, as entidades espirituais são servidas de fumo, bebida, comida, ingeridas pelo médium incorporado. Com isso, mostram a limitação destes Espíritos, ainda muito apegados aos vícios e prazeres materiais.

Desenvolvimento cauteloso da mediunidade: a Doutrina Espírita explica que todo ser vivo tem mediunidade, pois é através dela que os encarnados recebem influências boas e más do mundo espiritual, que servirão de ajuda ou aprendizado no decorrer de suas existências terrenas. São chamados de médiuns aqueles capazes de proporcionar a manifestação dos espíritos. O Espiritismo adverte que para poder ampliar esta ligação com o mundo espiritual, é necessário que o médium passe por uma série de preparativos. Anos de estudo, maturidade, modificação moral constante, vida regrada, abstendo-se dos vícios mais grosseiros, como o fumo e a bebida, são algumas das regras básicas para que o indivíduo possa vir a desenvolver sua mediunidade, e estão contidas em "O Livro dos Médiuns”. Os centros espíritas verdadeiros não aconselham a pessoa a trabalhar mediunicamente sem antes passar por este período e preparação citados. Muito menos diz que alguém "precisa" desenvolver a mediunidade. Ninguém é obrigado a nada, afirma a Doutrina. Todos têm seu livre-arbítrio, e mesmo que o ser tenha um canal mediúnico amplo, próprio para o desenvolvimento da mediunidade, e não quiser desenvolvê-lo, não há problema. Tudo o que é forçado é prejudicial ao homem.

Desenvolvimento mediúnico forçado: se ao chegar a um ambiente espiritualista lhe afirmarem que sua mediunidade "precisa" ser desenvolvida, caso contrário você sofrerá as conseqüências materiais e espirituais; sua vida será um transtorno; que os Espíritos estão lhe chamando para o trabalho; que esta é a sua missão; com certeza este não é um local que segue a Doutrina Espírita. Há seitas e religiões afro-brasileiras que obrigam a pessoa a desenvolver-se mediunicamente e depois as ameaçam com terríveis problemas futuros se elas deixarem de "trabalhar". Isto gera angústia, medo e desespero nos envolvidos, que geralmente acabam vítimas de graves obsessões (influência maléfica persistente de um Espírito atrasado sobre outro ser). Cuidado!

Não há promessas de curas: o verdadeiro centro espírita não promete a cura para quem o procura. A Doutrina afirma que a cura de uma influência espiritual ou doença material depende de uma série de fatores, entre os quais a modificação moral do enfermo, sua necessidade, seus problemas relacionados com encarnações anteriores e acima de tudo, se há ou não a permissão de Deus para que haja a solução da dificuldade. Muitas vezes, o sofrimento é um período necessário para o ser refletir sobre sua existência, e o único que sabe quando é a hora disso terminar é o Criador. O que o centro espírita faz é um pronto-socorro aos necessitados de amparo e esclarecimento, é de todas as formas possíveis (orações, tratamentos espirituais, passes, orientações morais e materiais) tenta minimizar o sofrimento alheio, rogando a Jesus que se o Pai permitir, que interceda junto ao indivíduo.

Promessas de cura: qualquer lugar que prometa a cura de problemas espirituais ou materiais, sem levar em consideração os fatores já citados, não é um local espírita. Condicionar uma cura à freqüência exclusiva naquele ambiente, ao pagamento de dinheiro ou bens materiais, ou mesmo à "força da casa" não tem base no Espiritismo e foge do bom senso que regula as leis de Deus. Estas, não podem ser modificadas de acordo com nossa vontade. Por isso, prometer algo que não depende apenas de nós mesmos beira a irresponsabilidade e pode levar a pessoa desesperada ao desequilíbrio total ou à descrença em Deus.

Passes simples: o passe é um método utilizado dentro dos centros espíritas. Nada mais é do que a simples imposição das mãos de médiuns sobre a fronte de outras pessoas, transmitindo-lhes fluidos magnéticos e espirituais (energias positivas do próprio médium e de bons Espíritos), no intuito de fortalecer-lhes o corpo e a parte espiritual. Tem duração em média de 30 segundos a 01 minuto. Geralmente, é aplicado dentro de salas específicas, após a palestra, individual ou coletivamente, com o público sentado e o passista de pé. Apenas são feitas orações, em pensamento, pelos médiuns, rogando o amparo de Jesus àqueles que estão recebendo os fluidos. Os passistas não ficam incorporados pelos Espíritos, apenas recebem sua influência mental e fluídica. Importante: nunca há necessidade do passista tocar a pessoa que recebe o passe. Toques, apertos, carícias têm grandes possibilidades de serem mal-interpretados, gerando confusões, e por isso são dispensados no centro espírita.

Passes com movimentos: locais em que os passes são aplicados com movimentos bruscos, utilizando objetos, baforadas de cigarro ou charuto, estalando-se os dedos, repetindo mantras e cânticos, tocando várias partes do corpo do receptor não são centros espíritas. Passistas que transmitem os passes incorporados por entidades, fazendo orientações ou conversando normalmente, não são médiuns espíritas.

Todo o serviço espiritual é gratuito: o verdadeiro centro espírita não cobra nenhuma orientação ou ajuda espiritual de seu público, nem condiciona o recebimento de curas ou salvação às doações. Dar de graça o que de graça receber, ensinou Jesus, em alusão aos conhecimentos espirituais. Não aceita dinheiro por serviços prestados mediunicamente. Seus dirigentes e trabalhadores têm profissões próprias, que lhes dão o sustento financeiro necessário para suas vidas. Quem sustenta materialmente a casa espírita são seus trabalhadores, através de doações mensais, destinadas ao pagamento de aluguéis, manutenção, divulgação doutrinária e aquisição de alimentos, roupas e demais objetos a serem distribuídos às famílias carentes ou instituições filantrópicas que sejam assistidas pelo grupo. Todo valor arrecadado será exposto em balanços mensais, para que tanto trabalhadores como freqüentadores tenham acesso sobre onde é investido o dinheiro do centro espírita. Caso algum freqüentador da casa queira doar algo ao núcleo, é preferível que a doação seja feita em gêneros alimentícios, roupas, materiais de construção e afins, que poderão ser destinados aos carentes ou mesmo utilizados na manutenção da casa. Se houver por algum motivo uma doação em dinheiro, o centro espírita deverá fornecer um recibo ao doador e inscrever esta doação no balanço mensal do grupo.

Cobrança pela ajuda espiritual: todo local que cobra dinheiro, favores ou exige qualquer coisa ou favor material devido à ajuda espiritual prestada não é um centro espírita. A cobrança financeira é própria de pessoas que vivem da exploração da crença alheia, contrariando os ensinos de Jesus. Há seitas que pedem dinheiro aos seus assistidos afirmando que será usado para o feitio de trabalhos espirituais, como a compra de velas, comida, roupas e coisas do gênero. Isso não é Espiritismo. Espíritos que se prestam a fazer serviços espirituais em troca de coisas materiais são entidades atrasadas, que nada de bom podem trazer aos que os procuram.
Não podemos comprar a paz de espírito e tranqüilidade que buscamos, é isto que prega a Doutrina Espírita. Se não for esta a orientação do local, com certeza não é um ambiente espírita.

Grupo Espírita Apóstolo Paulo
Ps: Esse texto foi tirado do facebook achei bonito e muito interessante !
fonte: https://www.facebook.com/groups/allankardecgeak/permalink/472594992760141/

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

MATAMBA


{short description of image}
MATAMBA é a dona dos raios, dos ventos e dos mortos. Esposa de seu primo,KAMBARANGUANGENGE, foi a maior guerreira que existiu na África, sua fúria era incontrolável, não temendo nem a morte. ligada as florestas que ela domina com seu ORUKERÉ, que lhe foi presenteado por GONGOBIRA. É associada aos ancestrais masculinos que ela dirige e maneja. Esta relacionada ao vermelho e é representada pelo relâmpago.
MATAMBA teve nove filhos, uns dizem que foi com MUKUMBE, outros que foi com KAMBARANGUANGE , oito nasceram mudos e o último nasceu um EGUN e graças aos sacrifícios recomendados por KASSUMBENCA, nasceu com o poder de falar com voz estranha e sobrenatural, chamada SEGI , que imita a voz do macaco africano chamado IJIMARÈ, macaco que é consagrado aos ÉRÉS.
Carrega um par de chifres que deu a seus filhos, dizendo-lhes que se precisassem dela batesse um no outro que ela viria de onde estivesse para acudi-los, também um instrumento de madeira com o rabo do búfalo que serve para afastar os EGUNS , é o ORUKERÉ.
SUAS QUALIDADES

- MAMETO MULENGE RIA BAMBURUSSEMA ( Equivelente a YÀTOPÈ no Kétu )
Tem ligação forte com KAMBARANGUANGE. Veste o branco.

- MAMETO MULENGE RIA KATAMBA ( Equivalente a BAGAN no Kétu )
Não tem cabeça. Come com ALUVAIÁ , MUKUMBE e GONGOBIRA . Tem caminhos com EGUN.



- MAMETO MULENGE RIA YNDEMBURE.
- MAMETO MULENGE RIA SYNAVANJU.
- MAMETO MULENGE RIA SYNAVURU.
- MAMETO MULENGE RIA INDA MATAMBA.
- MAMETO MULENGE RIA JONJURÉ.
- MAMETO MULENGE RIA ABASULEMI.
- MAMETO MULENGE RIA ANGOROSIMANGULA.
-MAMETO MULENGE RIA KARAMOSE.

UNSABA
- Malva rosa, Santa Bárbara, lacre, pitanga, guiné, nega-mina, para-raio.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

DANDALUNDA


{short description of image}
DANDALUNDA é a filha predileta de MIKAIA e LEMBARAGANGA . Ela representa as riquezas e tem suas cores relacionadas ao metal mais precioso da antiguidade que era o cobre. Sua cor preferida é o amarelo . Mantém profundos laços de amizade com KASSUMBENCA .
DANDALUNDA matém um grande laço de amizade com o Inkice KATENDE , pois para o equilíbrio da mistura das ervas para a feitura do AMACÌ , há necessidade das águas de DANDALUNDA . Deusa das cachoeiras e das águas doces .

QUALIDADES

- MAMETO NGIJI RIA DANDA DILA ( Equivalente a YGEMUN no Kétu )
É a senhora da fecundidade e do feitiço , é velha e vira bruxa na beira do rio. Veste azul e rosa claro , come com LEMBARAGANGA e KAVIUNGO . Não come bicho femea , exceto a pata .
- MAMETO NGIJI RIA DANDARA ( Equivalente a OPARÀ no Kétu )
É jovem e guerreira , companheira de MUKUMBE e KAMBARANGUANGE . Veste rosa claro ou amarelo ouro , tem caminhos muitos fortes com LEMBÁ . Tem fundamento com EGUN .

- MAMETO NGIJI RIA APUNKÉ ( Equivalente a ABALU no Kétu )
É velha , bem idosa , tem numerosos filhos e netos, é severa e autoritária . Usa o azul claro e é a verdadeira dona do leque . Come com MIKAIA no rio e na lagoa . Suas contas são azul cristal . Come tartaruga , cabrito castrado e pata .
- MAMETO NGIJI RIA KISSIMBI ( Equivalente a PONDÀ ou YPONDÀ no Ketu )
É guerreira , casada com GONGOBIRA e mãe de TERE COMPENSO , vive no mato com seu marido , é desconfiada , astuta , observadora e intuitiva . Veste amarelo ouro e na barra da saia azul claro . Relacionada ao fogo e aos cemitérios , pois apesar de não ter nenhum vínculo com MATAMBA , tem ligação com o culto a EGUN . A pata é uma de suas grandes KIZILA . O seu bicho de fundamento é a tartaruga , que aprecia a carne e os ovos . Come com GONGOBIRA , MIKAIA e seu filho TERE COMPENSO .

- MAMETO NGIJI RIA DANDAEWARA ( Equivalente a YIABOTO ou BOTO no Kétu ).
É a DANDALUNDA das nascentes dos rios e dos encontros das águas doces e salgadas, muito bonita e vaidosa. tem fundamento com MIKAIA e KAMBARANGUANGE. É cultuada a beira das lagoas. Veste o amarelo e, geralmente, seus filhos são ABIKÙ. Tem fundamento com ZUMBARANDÁ devido a lagoa. Ela é consagrada rainha da cumeeira.
- MAMETO NGIJI RIA LUNDAMUDILA.
- MAMETO NGIJI RIA DANDA DALU.
- MAMETO NGIJI RIA DANDA BELÉ.
- MAMETO NGINJI RIA DANDA MAIOMBE.

UNSABA
- Oriri, quioco, oxibata, relógio do campo, capueiraba branca, milame, bem-me-quer, brilhantina, amor do campo, baronesa , colonia, bredo sem espinho, alfavaquinha, beldroega, capeba, malva branca, mal-me-que, canela de macaco, parietária, mutamba , oripepe .